RetroX1 Abrir os pífanos

Aprender pífano e flauta doce online, de graça

O RetroX1 é o universo da música. Aqui você aprende flauta, com os pífanos do Nordeste do Brasil — sete pífanos, um em cada tom, com escalas, digitação dos furos, músicas para tocar junto e a história de quem manteve esse som vivo no sertão.

Como estudar pífano no RetroX1

  1. Escolha o seu pífano. São sete: Pífano em Sol, Pífano em Lá, Pífano em Si♭, Pífano em Dó, Pífano em Ré, Pífano em Mi, Pífano em Fá. Cada um tem o seu mundo e o seu som.
  2. Aprenda a escala com a digitação. Para cada nota o site mostra quais dos seis furos tapar, inclusive o meio-furo, no desenho e no pífano em 3D, e toca o som da nota.
  3. Toque músicas junto com a partitura. A nota da vez acende na pauta e os furos acendem no pífano. Baixe o andamento para praticar devagar e suba quando estiver firme.
  4. No tom do seu pífano ou no original. A partitura pode ser transposta para caber nos furos do seu pífano, com o dedilhado embaixo de cada nota ou só as notas.
  5. Toque com o microfone. Na Prática, a partitura espera você tocar a nota certa e fica verde quando acerta.
  6. Veja as flautas para impressora 3D. Dá para ver todas por dentro, montar e desmontar em 3D: flautas para impressora 3D.
  7. No celular também. No celular e no tablet a partitura ocupa a tela inteira, com o pífano em 3D em cima.

Pífano e flauta doce: uma lógica de digitação parecida

Quem toca flauta doce encontra no pífano uma lógica parecida: seis furos na frente, tapados de cima para baixo para descer a escala, com meio-furo para as notas de passagem. As músicas, os exercícios e a leitura da partitura servem para os dois. Mas a digitação não é igual em todas as notas: a flauta doce tem o furo do polegar atrás e digitações próprias, e o pífano se toca de lado (transversal), soprando por um furo lateral. Use a digitação que o site mostra para o pífano; na flauta doce, confira a tabela do seu instrumento.

Crie a sua partitura

No editor de partitura, em tela cheia, você escreve a sua música com as notas do seu próprio pífano: clique na pauta, arraste as notas, escolha a duração com as teclas 1 a 6, copie e cole, ouça, salve no navegador e baixe em MusicXML (abre no MuseScore e em outros programas). Veja também as partituras e cifras para flauta e os exercícios de flauta.

Os sete pífanos

Pífano em Sol · Sertão — Nordeste

Fim de tarde no sertão. A luz fica cor de brasa, as serras viram silhueta e o mandacaru segura o céu. É o mundo do pífano em Sol, o maior e mais grave da coleção, que leva o Nordeste inteiro gravado no corpo.

Este é o maior pífano da coleção e o de som mais encorpado. Por isso ele carrega o tema que abraça todos os outros: o próprio Nordeste. Os desenhos formam um retrato do sertão, pensado como uma xilogravura de cordel enrolada no tubo.

O calango que corre pelas costas é o bicho que aguenta o sol a pino sobre a pedra quente, e por isso virou símbolo da resistência sertaneja. O mandacaru representa a mesma ideia no mundo das plantas: fica verde na seca, e o povo diz que quando ele floresce a chuva está chegando. Ao lado aparecem o sol forte, o chapéu de couro com a estrela do cangaço e a lua das noites claras do sertão.

Nas laterais está o trio do forró, sanfona, zabumba e triângulo, parentes musicais das bandas de pífano. Há também a jangada do litoral, o carcará, a casa de taipa, o xique-xique e o coqueiro. Na peça do meio vivem a asa branca, ave cuja partida o sertanejo associa à seca, a cabeça do bumba-meu-boi com suas fitas, a flor de renda, a moringa de barro e o peixe do rio.

Gravado no corpo: calango, mandacaru, sol, chapéu de couro, lua, sanfona, zabumba, triângulo, jangada, carcará, casa de taipa, xique-xique, coqueiro, asa branca.

Estudar o Pífano em Sol

Pífano em Lá · Noite do cangaço — Cangaço

Lua cheia sobre as pedras do sertão e uma fogueira de acampamento ao longe. Foi por paisagens assim que o cangaço andou durante décadas, e é dele que vem a estética de couro, estrelas e bordados gravada neste pífano.

O cangaço foi o movimento de bandos armados que percorreram o sertão nordestino no fim do século XIX e começo do XX. Seu nome mais conhecido é Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, que liderou seu grupo até 1938, quando foi morto na Grota do Angico, em Sergipe, junto com Maria Bonita. É uma história com violência real e muitas vítimas, mas que também virou lenda, cordel, cinema e música, e é lembrada como parte da identidade do sertão.

O que mais sobreviveu do cangaço foi a sua estética: os chapéus de couro em meia-lua cheios de estrelas, os bornais bordados, as alpercatas, os cantis, as cartucheiras e o signo de Salomão, a estrela de oito pontas usada como proteção. A peça do meio deste pífano imita o couro trabalhado, com uma coluna de medalhões diferentes entre si.

O cangaço também tem ligação com o pífano: conta-se que a Banda de Pífanos de Caruaru chegou a tocar para Lampião, e a música Mulher Rendeira, atribuída a ele, é até hoje uma das mais tocadas pelas bandas de pífano. As bordas desta peça são cartucheiras, e o punhal comprido nas costas acompanha o corpo do instrumento.

Gravado no corpo: Lampião, Maria Bonita, chapéus de couro em meia-lua, bornais bordados, alpercatas, cantis, signo de Salomão, cartucheiras.

Estudar o Pífano em Lá

Pífano em Si♭ · Amanhecer dos pássaros — Pássaros

O dia nasce e o sertão acorda cantando. Bandos cruzam o céu, e é desse coro que muitos pifeiros tiram suas melodias, imitando as aves que escutam na roça desde crianças.

Poucos temas combinam tanto com o pífano quanto os pássaros. O som agudo e cheio de ornamentos da flauta lembra o canto das aves, e várias peças tradicionais das bandas de pífano levam nome de passarinho, como Sabiá e Guriatã de Coqueiro. Muitos pifeiros aprendem imitando os cantos que ouvem na roça.

Nas costas está a arara-azul-de-lear, espécie ameaçada que vive nos paredões da Caatinga da Bahia e é um dos grandes símbolos da conservação no Nordeste. Na frente aparecem o carcará em voo, o galo-de-campina de topete vermelho, o beija-flor numa flor e a asa branca. Nas laterais estão o bem-te-vi, o periquito, o pica-pau, a coruja buraqueira, a juriti, o sabiá, o canário-da-terra e o anu-preto.

Na peça do meio, a seriema de pernas longas, cujo grito se ouve de longe no sertão, divide espaço com o joão-de-barro e sua casa, a rolinha, o azulão, a graúna e a acauã, ave que a crença popular liga a presságios. Um ninho com ovos fecha a cena, e o pé traz o sol com um bando voando.

Gravado no corpo: arara-azul-de-lear, carcará, galo-de-campina, beija-flor, asa branca, bem-te-vi, periquito, pica-pau, coruja buraqueira, juriti, sabiá, canário-da-terra, anu-preto, seriema.

Estudar o Pífano em Si♭

Pífano em Dó · Caatinga ao anoitecer — Insetos da Caatinga

Quando o sol se põe na Caatinga, o mato seco se enche de pontinhos de luz. Os vaga-lumes são só uma parte do mundo miúdo de insetos que poliniza, recicla e alimenta o único bioma exclusivamente brasileiro.

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e cobre boa parte do Nordeste. Parece seca e parada, mas é cheia de vida miúda, principalmente de insetos, que polinizam as plantas, reciclam a matéria e alimentam aves e lagartos. Este pífano homenageia esse mundo pequeno que sustenta o sertão.

Nas costas está um grande louva-a-deus, caçador paciente. Na frente aparecem a borboleta, a abelha jandaíra, abelha nativa sem ferrão criada há gerações no Nordeste, a joaninha e o cupinzeiro, aqueles montes de terra que marcam a paisagem. Nas laterais vivem o besouro rola-bosta com sua bolinha, o gafanhoto, a libélula, a cigarra, a formiga tanajura e o vaga-lume.

Na peça de baixo, um bicho-pau comprido se esconde ao longo do tubo, cercado pelo marimbondo e sua casa, a mariposa, o grilo, a lagarta e a saúva carregando folha, além de um mandacaru florido e do sol.

Gravado no corpo: louva-a-deus, borboleta, abelha jandaíra, joaninha, cupinzeiro, besouro rola-bosta, gafanhoto, libélula, cigarra, formiga tanajura, vaga-lume, bicho-pau, marimbondo, mariposa.

Estudar o Pífano em Dó

Pífano em Ré · Noite de São João — São João

Junho no Nordeste é noite de fogueira, bandeirinha e forró até o dia clarear. As bandas de pífano abrem cortejos e animam terreiros nas festas de Santo Antônio, São João e São Pedro.

O São João é a maior festa popular do Nordeste, celebrada em junho com forró, comida de milho e muito fogo. Cidades como Caruaru e Campina Grande disputam o título de maior São João do mundo. As bandas de pífano têm lugar garantido nessas festas, puxando cortejos e animando os terreiros.

Nas costas arde a fogueira, que segundo a tradição foi acesa por Isabel para avisar Maria do nascimento de João. Na frente sobe um balão decorado e aparece uma igrejinha. Nas laterais estão a sanfona, o milho, o chapéu de palha, um casal dançando quadrilha, os fogos e a caneca de quentão. As bordas são cordões de bandeirinhas. O balão aqui é só desenho: soltar balões é proibido por lei no Brasil por causa do risco de incêndio.

Na peça de baixo está o mastro de São João, com a bandeira do santo e as fitas, cercado pela zabumba, o triângulo, a pamonha, a canjica, o carneirinho que acompanha a imagem do santo, a lanterna, a pipoca e a lua.

Gravado no corpo: fogueira, balão, igrejinha, sanfona, milho, chapéu de palha, quadrilha, fogos, quentão, bandeirinhas, mastro de São João, zabumba, triângulo, pamonha.

Estudar o Pífano em Ré

Pífano em Mi · Mar do Nordeste — Litoral

O Nordeste tem o litoral mais extenso entre as regiões do Brasil. À noite o farol varre o mar, a lua desenha um caminho na água e as jangadas esperam a próxima pescaria.

O Nordeste não é só sertão: tem o maior litoral do Brasil, com praias, coqueirais, falésias e comunidades de pescadores que vivem do mar há séculos. Este pífano, pequeno e de som brilhante, leva o mar para dentro da coleção.

Nas costas cresce um coqueiro, planta que virou marca da paisagem da costa. Na frente estão o farol e a jangada, embarcação de vela triangular dos pescadores, especialmente do Ceará. Nas laterais aparecem o caranguejo do mangue, a estrela-do-mar, a concha, a gaivota, o peixe e a âncora, com bordas de ondas.

Na peça de baixo, um cavalo-marinho e uma tartaruga marinha ocupam as costas; o litoral nordestino é área de desova de tartarugas, protegidas por projetos de conservação. Em volta estão a lagosta, a ostra com pérola, a rede de pesca, o barco, o polvo, a baleia, as algas e a lua.

Gravado no corpo: coqueiro, farol, jangada, caranguejo, estrela-do-mar, concha, gaivota, peixe, âncora, cavalo-marinho, tartaruga marinha, lagosta, ostra, rede de pesca.

Estudar o Pífano em Mi

Pífano em Fá · Poente do vaqueiro — Vaqueiro

No poente, a poeira do gado sobe dourada. É a hora em que o vaqueiro volta para o curral aboiando, vestido de couro da cabeça aos pés para enfrentar os espinhos da Caatinga.

O vaqueiro é uma das figuras centrais do sertão. É ele quem cuida do gado solto na Caatinga, entrando no mato fechado e cheio de espinhos, e por isso veste-se de couro dos pés à cabeça. Seu canto de trabalho, o aboio, é uma das músicas mais antigas do Nordeste, e em Serrita, Pernambuco, a Missa do Vaqueiro reúne todo ano vaqueiros de vários estados.

Nas costas está o gibão, a jaqueta de couro que protege dos galhos, com enfeites costurados. Na frente, o chapéu de vaqueiro e a cabeça do boi. Nas laterais aparecem a espora, o chocalho, a bota, o ferro de marcar, o laço e a ferradura, com bordas de cerca de curral.

Na peça de baixo estão o berrante, a porteira, a roda do carro de boi e o sol, acompanhados do cachorro companheiro, da sela, do mandacaru, das notas do aboio, do cavalo, da cabaça de água e da lua.

Gravado no corpo: gibão, chapéu de vaqueiro, boi, espora, chocalho, bota, ferro de marcar, laço, ferradura, cerca, berrante, porteira.

Estudar o Pífano em Fá

A história do pífano

Um tubo aberto, um furo para soprar e seis para os dedos. O pífano atravessou séculos nas mãos de trabalhadores rurais que aprenderam tudo de ouvido, e continua puxando procissões, novenas e festas pelo sertão.

Tempo colonial

Um instrumento de muitos povos

Uma das explicações mais aceitas é que flautas militares e religiosas chegaram com jesuítas e militares portugueses e foram transformadas no interior do Brasil. Ganharam materiais e técnicas indígenas, como a taquara e a taboca, e passaram a ser acompanhadas por uma percussão de raiz africana. Em Portugal o instrumento se chama pífaro; aqui virou pífano, pife ou pifre.

Sertão adentro

Bandas de pífano e bandas cabaçais

As bandas se firmaram no sertão tocando em novenas, procissões, festas de padroeiro e romarias. Mudam de nome conforme a região: zabumba, cabaçal, esquenta-mulher. No Cariri cearense, "cabaçal" lembra o tempo em que os tambores eram feitos com pele esticada sobre cabaças. A formação clássica tem dois pífanos na melodia, zabumba, caixa e pratos.

Fazer e tocar o pífano sempre foi saber de família. Cada mestre corta a taboca, fura e afina do seu jeito, e ensina aos filhos.

1924

A Banda de Pífanos de Caruaru

A família Biano forma a banda no sertão de Alagoas; depois ela se estabelece em Caruaru, em Pernambuco. Conta-se que chegou a tocar para Lampião. Tornou-se a banda de pífanos mais conhecida do Brasil.

1972

O pífano entra na música popular

Pipoca Moderna, composição de Sebastião Biano, abre o disco Expresso 2222, de Gilberto Gil. No mesmo ano a banda grava seu primeiro LP. Em 1975, Caetano Veloso regrava a música no disco Jóia, com letra dele. O som do pífano passa a influenciar a Tropicália e, depois, o Manguebeat.

Hoje

Memória viva

Em Pernambuco, as bandas de pífano são patrimônio cultural imaterial do estado. Grupos novos continuam surgindo, festivais homenageiam os mestres e o pífano ganhou versões de metal, de PVC e agora de impressão 3D, como nesta coleção.

Mestres do pífano

Partituras para pífano na biblioteca

O site já traz 610 músicas em três níveis — Básico (cantigas brasileiras como Cai, cai, balão, Ciranda, cirandinha e Marcha, soldado), Médio (clássicos) e Difícil (composições de Hermeto Pascoal e clássicos mais pesados):

Básico

Médio

Difícil

O RetroX1 não tem fins lucrativos com as partituras: são pequenos trechos, de um único instrumento, para estudo.

Exercícios de pífano

40 exercícios para o dia a dia, do primeiro sopro ao golpe de língua: notas longas, as primeiras notas com 1, 2 e 3 furos, escalas, terças, arpejos, oitavas, ritmo pontuado, cromática com meio-furo e saltos. Todos tocam no tom do seu pífano.

Básico

Médio

Difícil

Perguntas frequentes

O que é o pífano?

O pífano (também chamado pife ou pifre) é uma flauta transversal simples do Nordeste brasileiro: um tubo aberto, um furo para soprar e seis furos para os dedos. É o instrumento das bandas de pífanos e bandas cabaçais, que tocam em novenas, procissões e festas.

Como aprender a tocar pífano pela internet?

No RetroX1 você escolhe o seu pífano, estuda a escala com a digitação de cada nota (quais dos seis furos tapar, inclusive o meio-furo) e depois toca músicas junto com a partitura, que marca a nota da vez e mostra os furos no pífano em 3D. Dá para baixar o andamento para praticar devagar.

Quais pífanos existem no RetroX1?

Sete pífanos, um em cada tom: Sol, Lá, Si♭, Dó, Ré, Mi, Fá. Cada um tem o seu mundo, a sua história e os seus desenhos gravados no corpo.

Posso tocar a música no tom do meu pífano?

Sim. Cada partitura pode ser mostrada no tom do pífano (transposta para caber nos furos dele) ou no tom original. E você escolhe ver a partitura com o dedilhado embaixo de cada nota ou só as notas.

Serve para quem toca flauta doce?

Sim. A digitação do pífano segue uma lógica parecida com a da flauta doce — seis furos na frente, tapados de cima para baixo — então as músicas, os exercícios e a leitura de partitura servem para os dois. A diferença é que o pífano é transversal (tocado de lado) e não tem o furo do polegar atrás.

Tem exercícios e músicas para iniciantes?

Sim. A biblioteca é dividida em Básico, Médio e Difícil, e tem uma aba só de exercícios: notas longas, escalas, arpejos, ritmo e articulação, do mais fácil ao mais difícil. As cantigas brasileiras, como Cai, cai, balão e Ciranda, cirandinha, são o melhor começo.

Posso criar a minha própria partitura?

Pode. O editor de partitura, em tela cheia, escreve com as notas da sua própria flauta: clique na pauta, arraste as notas, ouça, salve no navegador e baixe ou abra em MusicXML.

Funciona no celular?

Sim. No celular e no tablet a partitura ocupa a tela inteira, com o pífano em 3D em cima mostrando os furos e os controles sempre à mão.

Precisa pagar ou criar conta?

Não. O RetroX1 é gratuito e não pede cadastro; as suas partituras ficam guardadas no seu próprio navegador.

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